sexta-feira, 25 de junho de 2010

Alvorada

A verdade escondida sob emoções forjadas
Laços criados para ludibriar
Sorrisos que aterrorizam à última instância
Palavras concebidas pelo silêncio agora
Se mostram sem medo

O caminho se clareia ao brilho da alvorada
O gélido coração agora pode aquecer-se
De sonhos e fantasias
A real verdade mostrou-se para mim

Meus olhos agora descansam na luz
A redenção foi concedida, a salvação estendeu
Sua mão e me envolveu na paz
Um novo mundo, uma nova realidade
Serão criados à minha frente

O poder de entregar-se a vida
Sem nada temer

Uma nova chance de acreditar
Alfim no futuro


Daquela antiga realidade
Do que me faziam acreditar

Agora posso dar adeus
Liberta de meus fantasmas
Eu posso realmente Existir...

domingo, 30 de maio de 2010

Andarilha Errante

Trilhando diferentes caminhos sem rumo definido
Apenas sentindo seu coração palpitar
A cada passo de um novo destino

Sentimentos efêmeros motivam sua alma
Dando adeus constantemente
Sorrindo misteriosamente a cada palavra
Proferida por aqueles que nada entendem

Se desencantou com o amor visto
De forma banal por todos por onde passou
Nada daquilo a deixava plena
[Ela queria mais...]

Mesmo vendo seus sonhos cairem por terra
Continuou a acreditar no futuro
Este que lhe causa esperanças infindas

Desejando voar o mais alto que pudesse
Como uma lagarta que acabara de ganhar
Belas asas coloridas
[E assim experimentou voar...]

Ela caiu, mas levantou em seguida
Sempre foi forte, seu coração a fazia
Persistir e sentir que seu destino ainda
Lhe pregaria muitas surpresas

Flôr que nunca pode ser tocada
Apenas contemplada...
Possui raro perfume que enebria
Não nasceu para viver o amor
Apenas para senti-lo
[Eis o que acredita...]

O céu que permaneceu escuro por muito tempo
Agora está iluminado pelo sol que traz
A imagem da fé refletida no poder de acreditar
Na utopia que todos desacreditaram

E ela continua seu caminho incerto
Há tantas coisas que ainda não viu
E muitas que ainda não sentiu...

Quem sabe possa descobrir o tal amor
Verdadeiro e puro
[Neste momento ela sorri...]

Talvez seja uma tolice, uma sandice
Que ela gostaria de presenciar...
Mas vai saber?
[Chegou a hora de ir...]

O crepúsculo se inicia, é preciso ir em frente
As respostas para seus questionamentos
serão alfim encontradas na estrada da vida
Na qual nossa andarilha errante
Tem perseguido fervorosamente

Já não se vê suas pegadas
Ela está longe mais uma vez...
[E uma forte rajada de vento se faz presente...]

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Lágrimas do coração

Tu, doce e altivo segurou minha mão
Tu, sedento e infame iludiu meu coração
Conseguistes alfim fazer a rosa do amor
Florescer mais uma vez em mim


Por que chegou tão perto?
Por que tocaste tão cruelmente meu
Peito fazendo-o encher de falsas esperanças?

Lançaste a semente do amor em meu ser
Mesmo sabendo que não a poderia colher
Ao seu bel prazer judiou e brincou de amar

Noite após noite meu coração derrama lágrimas
Doloridas, estas que fazem meu peito estremecer
Em cada sonho tu vens para ludibriar e atormentar
Fugindo em desespero, dou-lhe adeus

[No meu peito tu não mais estará]

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Encontro Fantasmagórico

Sempre estive a observa-lhe, cada gesto de
Raiva e de ódio que fazia quando te esqueciam,
Quando a oprimiam
Sempre fadada a rejeição, fadada a incompreensão

Falavam de ti comparando-a com um fantasma
És fruto do caos, possui uma aura negra
Um manto que a envolve contra sentimentos puros
Gerada no lodo, adquiriu toda impureza
Que podes imaginar...

[Consegues ver que estou a olhar-te profundamente?]
Não se preocupe pobre infeliz, farei estas últimas
Migalhas de compaixão que restam em seu peito desaparecem
Agora sinta o ressonar de nossas almas

Sou um fantasma, tiraram-me deste mundo injustamente
Cruelmente fizeram meu corpo sucumbir
Vês? Voltei do mundo dos mortos para coexistir contigo

E tu? Tu és a maldade personificada, contigo encontrarei
Minha tão desejada vingança
O que ganharás? Deves estar se perguntando
Tu finalmente saciará sua sede por sangue e dor

Não me olhes dessse jeito, Oh! Eu posso sentir suas
Reais intenções para com este mundo apodrecido
Não mais precisa fingir ser uma boa garota
Ninguém te aceitará, és um desastre natural
Nem bem viveu e já está corrompida

Vamos, aceite-me como sua nova força
Tu torna-se-á um belo carrasco para
Esta frustrante realidade que nos envolve
Pode gritar, sinta-me dentro de ti
[Agora somos uma só]

A partir daquele momento tornei-me um ser
Malígno completamente
Consegui expor minha real índole
A todos que viviam comigo, fiz com que conhecessem
Um pouco da dor e da decadência que sempre estiveram
Vivas em mim...

Gritos de socorro, pedidos de clemência ecoam até mim
Mas agora é muito tarde, encontrei o meu caminho
Um obscuro e amaldiçoado caminho o qual estarei
Encarcerada até o fim de meus dias

Mas não estou só, Lélia está comigo
Ela que me fez despertar para meus propósitos nesta terra
Com minhas roupas ungidas de sangue continuarei
Perseguindo cada emoção, cada fluir de pureza
O mundo não precisa disto, enfim, terão seu fim!

Beijo do fim

Contemplamos o mesmo céu macilento
Nas noite vivemos as mais doces venturas
De enlevo sentíamos nossos lábios tremer

Meu amado, levaram-no de mim cruelmente
Neste mesmo lugar em que meus pés descalços
Permanecem a caminhar a sua procura

Meu corpo está a ficar frágil, mas sem desistir
Ficarei a esperar a lua luzir mais uma vez
Continuarei mirando a neblina que nos entorpecia
Enquanto tocava-me a face

Ainda ouço seus passos, continuo escutando
Sua voz ardente a me chamar
[Será um sonho tudo que vivemos?]

À beira do abismo tu me aparece sedento de amor
Me pedes um beijo...
Será que estou a delirar?
É tão real, sua pálida face com um sorriso
Me envolve plenamente

Meus pés caminham em sua direção, na direção
Deste abismo...
Tu me diz para nada temer, e nos beijamos enfim,
Mas foi o beijo do fim

Meu corpo cai lentamente e as minhas memórias
Dei adeus finalmente...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Escape

Sociedade não envolvente,
Humanóides que vivem cegamente

Abraçando a solidão eles esquecem

Do mundo e se perdem em si mesmos

Dor que os consome lentamente, a falsa sensação
De domínio da situação os ludibria ainda mais
Sem perceber acabam por criar uma maior
Distância entre o sonho e o real

Vivem em seus próprios mundos ao invés de lutar
Por um lugar na multidão
"Por quê? Pra quê? Me deixem em paz"
Respostas vazias, sem emoções pois guardaram
Todo sentimento a sete chaves num coração
Machucado coberto pela cólera da rejeição

Escapam do convívio intraespecífico incansavelmente
Almas obscuras que encontram na noite
Uma possível redenção para suas tristezas

quarta-feira, 10 de março de 2010

Máscara

[O que você roubou de si mesmo?]

Se escondeu para ofuscar suas tristezas
Odiou com medo de acreditar no amor
Correu pra bem longe para que não
Percebessem que estava sangrando

Sofreu por ser ingênuo e crédulo
Encontrou o amor num abismo e não
Mais conseguiu subir
Por que continuas sem esperança?

Esconde seu belo e verdadeiro Eu numa
Máscara cética e pessimista...
O que achas que conhece do mundo? Ham?
Tu tens muito a descobrir...

Eu só queria vislumbrar seu verdadeiro Eu,
Amar-te por inteiro...
Se olhar nos meus olhos, talvez consiga
Sentir a verdade que tanto teme em mirar...